Maria na tradição da Igreja Anglicana

Rev. Jorge Aquino, ose [1]

Gostaria, antes de mais nada, de agradecer ao convite que me foi formulado para falar neste Congresso Mariológico Mariano, acerca de um tema tão importante. E porque sei que é um tema de suma importância, tenho também conhecimento do peso de minha responsabilidade e das minhas limitações. Preferi falar neste dia sobre a posição encontrada na Comunhão Anglicana e não especificamente nas Igrejas da Reforma. Assim o fiz por duas razões.
Em primeiro lugar, em função do pouco tempo que temos. Falar da presença e da ausência de Maria nas diversas tradições reformadas exigiria bastante tempo, o que inviabilizaria esta comunicação. Em segundo lugar, em função de nossa ignorância do tema, o que exigiria um aprofundamento nestas riquíssimas tradições, o que não seria uma tarefa fácil. Se considerássemos apenas a obra de João Calvino, estaríamos em apuros; quando somamos a esta, os textos de Lutero e dos demais reformadores, com certeza, estaríamos em maus lençóis. A tradição Anglicana, no entanto, possui em seu seio muito da tradição luterana e calvinista, o que pode facilitar a reflexão. Além do mais, há um dado pessoal que pode ser lembrado: é, para mim, muito mais familiar falar do anglicanismo. Continue lendo “Maria na tradição da Igreja Anglicana”

Maria, segundo a Igreja

Por que todo esse barulho a respeito de Maria?

Muita gente anda com medo de tratar da questão de Maria porque julga que isso foge do culto a Deus. Com certeza está errado confundir a devoção a Maria com o culto que é devido somente a Deus. A questão sobre Maria é que ela foi uma garota comum, uma campesina da parte mais pobre da Palestina. Porém, e é um grande porém, ela foi uma garota comum, escolhida para fazer algo extraordinário, tornar-se a mãe de Deus Filho. Continue lendo “Maria, segundo a Igreja”

Catedral Episcopal de Paris acolhe noite inter-religiosa para o diálogo e paz

Alguns dias após uma série de ataques terroristas assolarem a França e Líbano, líderes cristãos e muçulmanos se uniram em Paris no dia 17 de novembro para uma noite de debates sobre os esforços de criação da paz e o papel da religião na educação, promovendo o diálogo e levando ao fim da violência ao redor do mundo.

O evento foi organizado pela Catedral da Santíssima Trindade (Anglicana/Episcopal) em Paris, e liderado por um grupo de teólogos muçulmanos que são membros da União Mundial de Peritos do Islã para a Paz e Contra a Violência. Líderes católico-romanos e protestantes também compareceram ao encontro. Continue lendo “Catedral Episcopal de Paris acolhe noite inter-religiosa para o diálogo e paz”

Espiritualidade anglicana

Por Rev. Gerardo Jaramillo González

A Espiritualidade Anglicana está em tudo aquilo que, sendo próprio do anglicanismo, favorece, fomenta e acrescenta a espiritualidade humana. Está em tudo aquilo que sendo anglicano, melhora a sua capacidade reflexiva, a sua fé e os dons do Espírito Santo, o transcendente que existe na pessoa humana e sua relação com o transcendente, com a própria pessoa, e com as coisas que a rodeiam. São quatro as ênfases que mais se sobressaem na Comunhão Anglicana: 1. A adesão às Sagradas Escrituras; 2. A tricotomia Bispo – Sucessão Apostólica – Grande Comissão; 3. A Liturgia; 4. A Capacidade de Adaptação. Continue lendo “Espiritualidade anglicana”

Um indesculpável crime contra as gerações presentes e futuras

O rompimento das Barragens do Fundão e Santarém, da mineradora Samarco, empresa controlada pela Vale do Rio Doce e pela anglo-australiana BHP, aconteceu no dia 5 de novembro provocando uma avalanche de lama misturada com resíduos tóxicos causando 24 mortes, mais de 600 pessoas deslocadas e principalmente a destruição ambiental de toda a região da cidade de Mariana e de todo o distrito de Bento Rodrigues. Os atingidos foram as comunidades ribeirinhas, camponesas, trabalhadores da mesma mineradora, famílias sem muito sustento. A tragédia adquiriu dimensões que vão além do estado de Minas Gerais, atingindo também diversas cidades do estado de Espírito Santo.

A indústria da mineração, no geral, é uma das atividades humanas que mais afeta a vida na Terra pelos seus impactos destrutivos nos ecossistemas, e é de enorme contribuição para o aquecimento global através das emissões de gases efeito estufa, quando não contempla estratégias de redução de riscos e mecanismos de desenvolvimento sustentável.

Igualmente, pelo seu enorme potencial de lucro e de dividendos, que somados à corrupção, é uma das atividades industriais que menos sofrem regulações de governos locais, regionais e federais os quais deveriam interferir para controlar a excessiva exploração do solo e impedi-la diante evidências de catástrofe iminente, sempre priorizando o direito de proteção humana e ambiental como também o direito das gerações futuras, uma vez que, os danos causados em Mariana e Bento Rodrigues perdurarão pelas próximas duas gerações.

Uma tragédia como não se trata de um mero acidente, mas sim é resultado de uma sucessão de erros não contemplados com a devida relevância os quais levam ao desastre que dificilmente é causado somente por um fator. Esse conjunto de equívocos passa necessariamente pelo descaso no controle governamental, como também, pelo crime de priorizar o lucro em detrimento da segurança humana e ambiental.

Entendemos que foi um crime o fato de não se tomar as devidas precauções como também em não planejar mecanismos emergenciais para prever o rompimento e, no caso extremo, de avisar à população com antecedência para minorar os efeitos da avalanche de lama. Não basta somente com indenizar as famílias. É necessário descentralizar o poder das empresas nas decisões sobre os bens naturais, uma vez que eles não são infinitos e não são renováveis sem a devida sustentabilidade. No entanto, as proprietárias da mineradora Samarco não assumem as responsabilidades o que torna mais enfático o comportamento criminoso em não fornecer um mecanismo claro e efetivo na reparação de danos pós-evento.

Tragédias como esta desperta sentimentos de compaixão e solidariedade mas também de indignação, impotência, raiva e dor. Qualquer um pode ser afetado no futuro. Por isso é necessário denunciar esse modelo predatório amparado na economia de mercado que favorece os lucros em detrimento da vida!

Assim, convoco a Igreja a ORAR:

  • Para que sejam tomadas as devidas precauções e prontas ações tanto dos governos quanto das mineradoras responsáveis a fim de evitar que a terceira barragem de Germano venha se romper e aumentar assim os danos às populações.
  • Para que as pessoas afetadas sejam ressarcidas e que lhe sejam oferecidas moradia, trabalho e infraestrutura dignas para reconstruir seus projetos.
  • Para que a ambição humana pelo enriquecimento cesse e não seja colocado o interesse pelo lucro acima da vida e assim evitar outros desastres causados pelo descaso e corrupção.
  • Para que as pessoas danificadas tenham direito a um atendimento humano e sejam supridas de alimentos, roupas e provisões básicas de qualidade.
  • Para que o fornecimento de água seja garantido a todas populações nas cidades que têm sido afetadas pela avalanche de lama que está poluindo os rios e as nascentes.
  • Para que os governos implementem estratégias direcionadas a evitar doenças, epidemias e contaminação tóxica derivada da avalanche de lama.
  • Para que nos tornemos mais conscientes das necessidades do nosso próximo, que neste caso, são os nossos irmãos de Mariana e do Distrito de Bento Rodrigues em Minas Gerais, como também dos diversos povoados e cidades do Espírito Santo.

Dom Francisco de Assis da Silva

Primaz da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil

Publicado no dia 17/11/2015 pelo Serviço de Notícias da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (SNIEAB).