Primeiras mulheres ordenadas no Uruguai

[Anglican Journal] História foi feita no Uruguai em 22 de novembro, com a primeira ordenação feminina ao presbiterado no país.

A Revda. Audrey Taylor Gonzalez, Revda. Cynthia Myers Dickin e a Revda. Susana Lopez Lerena foram ordenadas ao sacerdócio na Festa de Cristo Rei na Catedral da Santíssima Trindade de Montevidéu. As três são diaconisas desde o final da década de 1990, de acordo com um e-mail enviado ao Anglican Journal pelo bispo da Diocese do Uruguai, Michael Pollesel.

“Faz 18 anos desde minha ordenação ao diaconato, e como a música de Almir Sater que escolhi para minha apresentação, ‘muito pouco sei’ ”, complementou Lerena, aludindo à canção do cantor e compositor brasileiro. “Mas a fé e bênçãos tem sido maiores do que os desapontamentos. Pessoas diferentes contribuíram para a realização deste novo estágio”. Continue lendo “Primeiras mulheres ordenadas no Uruguai”

Em defesa da democracia e da justiça social e contra o impeachment da presidenta Dilma Roussef

“O fruto da justiça será paz; o resultado da justiça será tranquilidade e confiança para sempre”. Isaías 32:17

Nós, Bispos da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, vemos com preocupação a crise política que tem se instaurado no país envolvendo a busca do impeachment da Presidente Dilma Rousseff, baseada nas chamadas “pedaladas fiscais” praticadas, da mesma forma, por todos os governos anteriores. Como pano de fundo deste movimento, é colocada a crise econômica, que não é apenas recorrente no Brasil, mas também presente em países da União Europeia, nos EUA, e em outros países tanto desenvolvidos quanto em desenvolvimento sendo, portanto, uma crise do sistema capitalista que domina a economia mundial. Continue lendo “Em defesa da democracia e da justiça social e contra o impeachment da presidenta Dilma Roussef”

Catedral Episcopal de Paris acolhe noite inter-religiosa para o diálogo e paz

Alguns dias após uma série de ataques terroristas assolarem a França e Líbano, líderes cristãos e muçulmanos se uniram em Paris no dia 17 de novembro para uma noite de debates sobre os esforços de criação da paz e o papel da religião na educação, promovendo o diálogo e levando ao fim da violência ao redor do mundo.

O evento foi organizado pela Catedral da Santíssima Trindade (Anglicana/Episcopal) em Paris, e liderado por um grupo de teólogos muçulmanos que são membros da União Mundial de Peritos do Islã para a Paz e Contra a Violência. Líderes católico-romanos e protestantes também compareceram ao encontro. Continue lendo “Catedral Episcopal de Paris acolhe noite inter-religiosa para o diálogo e paz”

Um indesculpável crime contra as gerações presentes e futuras

O rompimento das Barragens do Fundão e Santarém, da mineradora Samarco, empresa controlada pela Vale do Rio Doce e pela anglo-australiana BHP, aconteceu no dia 5 de novembro provocando uma avalanche de lama misturada com resíduos tóxicos causando 24 mortes, mais de 600 pessoas deslocadas e principalmente a destruição ambiental de toda a região da cidade de Mariana e de todo o distrito de Bento Rodrigues. Os atingidos foram as comunidades ribeirinhas, camponesas, trabalhadores da mesma mineradora, famílias sem muito sustento. A tragédia adquiriu dimensões que vão além do estado de Minas Gerais, atingindo também diversas cidades do estado de Espírito Santo.

A indústria da mineração, no geral, é uma das atividades humanas que mais afeta a vida na Terra pelos seus impactos destrutivos nos ecossistemas, e é de enorme contribuição para o aquecimento global através das emissões de gases efeito estufa, quando não contempla estratégias de redução de riscos e mecanismos de desenvolvimento sustentável.

Igualmente, pelo seu enorme potencial de lucro e de dividendos, que somados à corrupção, é uma das atividades industriais que menos sofrem regulações de governos locais, regionais e federais os quais deveriam interferir para controlar a excessiva exploração do solo e impedi-la diante evidências de catástrofe iminente, sempre priorizando o direito de proteção humana e ambiental como também o direito das gerações futuras, uma vez que, os danos causados em Mariana e Bento Rodrigues perdurarão pelas próximas duas gerações.

Uma tragédia como não se trata de um mero acidente, mas sim é resultado de uma sucessão de erros não contemplados com a devida relevância os quais levam ao desastre que dificilmente é causado somente por um fator. Esse conjunto de equívocos passa necessariamente pelo descaso no controle governamental, como também, pelo crime de priorizar o lucro em detrimento da segurança humana e ambiental.

Entendemos que foi um crime o fato de não se tomar as devidas precauções como também em não planejar mecanismos emergenciais para prever o rompimento e, no caso extremo, de avisar à população com antecedência para minorar os efeitos da avalanche de lama. Não basta somente com indenizar as famílias. É necessário descentralizar o poder das empresas nas decisões sobre os bens naturais, uma vez que eles não são infinitos e não são renováveis sem a devida sustentabilidade. No entanto, as proprietárias da mineradora Samarco não assumem as responsabilidades o que torna mais enfático o comportamento criminoso em não fornecer um mecanismo claro e efetivo na reparação de danos pós-evento.

Tragédias como esta desperta sentimentos de compaixão e solidariedade mas também de indignação, impotência, raiva e dor. Qualquer um pode ser afetado no futuro. Por isso é necessário denunciar esse modelo predatório amparado na economia de mercado que favorece os lucros em detrimento da vida!

Assim, convoco a Igreja a ORAR:

  • Para que sejam tomadas as devidas precauções e prontas ações tanto dos governos quanto das mineradoras responsáveis a fim de evitar que a terceira barragem de Germano venha se romper e aumentar assim os danos às populações.
  • Para que as pessoas afetadas sejam ressarcidas e que lhe sejam oferecidas moradia, trabalho e infraestrutura dignas para reconstruir seus projetos.
  • Para que a ambição humana pelo enriquecimento cesse e não seja colocado o interesse pelo lucro acima da vida e assim evitar outros desastres causados pelo descaso e corrupção.
  • Para que as pessoas danificadas tenham direito a um atendimento humano e sejam supridas de alimentos, roupas e provisões básicas de qualidade.
  • Para que o fornecimento de água seja garantido a todas populações nas cidades que têm sido afetadas pela avalanche de lama que está poluindo os rios e as nascentes.
  • Para que os governos implementem estratégias direcionadas a evitar doenças, epidemias e contaminação tóxica derivada da avalanche de lama.
  • Para que nos tornemos mais conscientes das necessidades do nosso próximo, que neste caso, são os nossos irmãos de Mariana e do Distrito de Bento Rodrigues em Minas Gerais, como também dos diversos povoados e cidades do Espírito Santo.

Dom Francisco de Assis da Silva

Primaz da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil

Publicado no dia 17/11/2015 pelo Serviço de Notícias da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (SNIEAB).